Luto e COVID-19

O coronavírus mudou a maneira como vivemos o dia-a-dia e, para alguns, mudou a maneira de lidarmos com a morte.

Todas as culturas têm seus hábitos e costumes na hora da despedida de um ente querido. Na era do COVID-19, o distanciamento físico está a condicionar esta conexão social tão necessária para lidar com o luto.

Os dias ou horas próximos dos momentos finais dos doentes funcionam como uma preparação e o acompanhamento presencial ajuda a suavizar a perda. Nas circunstâncias atuais há um condicionamento nos Hospitais fazendo com que as pessoas estejam a perder as despedidas, reconciliações ou vínculos.

Enfrentar a tristeza sozinho, a ausência da despedida, a falta de conforto afetivo físico e presencial faz com que seja necessário descobrir novas formas de honrar a morte: seja com ajuda de psicólogos, apoio religioso ou até tecnologias de informação e comunicação.

A depressão e a ansiedade estão associadas muitas vezes ao sofrimento prolongado do luto, e uma abordagem farmacológica associada à psicoterapia trará benefícios na reabilitação do paciente.

A intervenção no luto será certamente uma área prioritária para os psicólogos nos próximos anos, além de uma grande oportunidade para ajudar as pessoas a lidar com este sofrimento.

 

Isabel Dias (Psicóloga)